O ano de 2026 marca o início prático de uma das maiores transformações do sistema fiscal brasileiro nas últimas décadas. A chamada Nova Reforma Tributária, consolidada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e pela Lei Complementar nº 214/2025, entra em fase de transição e acende o alerta no meio empresarial. O IBEF-PR destaca que este será um período decisivo de testes, ajustes e preparação, tanto para empresas quanto para governos.
A reforma institui um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá gradualmente tributos estaduais e municipais. O novo modelo prevê a extinção progressiva de PIS, Cofins, ICMS e ISS, com implementação plena prevista para 2033.
De acordo com orientações da Receita Federal, o ano de 2026 funcionará como um período experimental para a CBS e o IBS. As alíquotas iniciais serão simbólicas, estimadas em 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, com possibilidade de compensação por meio de créditos de PIS e Cofins. O objetivo é permitir ajustes operacionais antes do início efetivo da cobrança, programado para 2027.
Na avaliação do IBEF-PR, esse momento exigirá atenção redobrada das empresas, que precisarão conviver com dois sistemas tributários simultaneamente, ajustando processos, sistemas de gestão e controles fiscais.
No âmbito estadual, o Paraná já sinaliza movimentação para enfrentar a transição. O governo criou um Conselho Interinstitucional de Implantação da Reforma Tributária, responsável por coordenar a adaptação das estruturas estaduais e municipais ao novo modelo. A iniciativa envolve integração entre diferentes esferas do poder público, além de ações de capacitação e modernização tecnológica.
Para o IBEF-PR, a antecipação é estratégica, já que a transição impactará diretamente a arrecadação, a gestão fiscal e a relação entre estados, municípios e União ao longo dos próximos anos.
Os impactos da reforma vão além da área fiscal. A mudança exigirá adequações profundas nos sistemas tributários das empresas, integração de tecnologia fiscal, revisão de contratos, preços e cadeias de fornecimento, além de um novo olhar sobre o planejamento estratégico de médio e longo prazo.
Segundo o presidente do IBEF-PR, Carlos Peres, a transição deve ser encarada como prioridade. Para ele, 2026 inaugura a fase mais sensível do processo. O instituto reforça que seu papel será apoiar a comunidade financeira paranaense por meio de análises técnicas, debates qualificados e capacitação, para que a mudança se converta em oportunidade e não em entrave ao crescimento.
Embora o início prático ocorra em 2026, a transição será gradual e complexa. Estados e municípios terão de administrar a substituição progressiva de suas fontes de arrecadação, especialmente com a implementação do IBS, que assume o lugar do ICMS e do ISS ao longo de vários anos.
Até 2033, quando o novo sistema estará plenamente em vigor, o período será marcado por ajustes contínuos, disputas federativas, reequilíbrio de receitas e necessidade permanente de adaptação. Para o IBEF-PR, quem se preparar desde já estará em vantagem competitiva em um cenário tributário mais simples, porém exigente na fase de transição.