Os paranaenses encerraram 2025 em uma situação mais equilibrada no ranking nacional de endividamento das famílias. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) em parceria com a Fecomércio Paraná, mostram que o Estado passou da 5ª posição entre os mais endividados no início do ano para a 11ª colocação em dezembro.
No último mês de 2025, 85,1% das famílias do Paraná possuíam algum tipo de dívida, como cartão de crédito, carnês de lojas, financiamentos ou empréstimos. O índice representa uma redução significativa em comparação a dezembro de 2024, quando o percentual era de 88,6%, indicando uma mudança gradual no comportamento financeiro dos consumidores.
A retração do endividamento reflete não apenas maior organização das famílias, mas também um cenário de crédito mais restrito e juros elevados ao longo de 2025. Esse contexto contribuiu para frear o consumo e reforçar um perfil mais cauteloso do consumidor paranaense diante das incertezas econômicas.
Com isso, o índice estadual se aproximou da média nacional, que ficou em 78,9% em dezembro. Embora ainda acima do indicador brasileiro, o Paraná reduziu a distância, sinalizando um processo de ajuste das finanças familiares.
A inadimplência permaneceu estável no Estado e fechou 2025 em 12,4%, uma das menores taxas do país. O percentual colocou o Paraná na penúltima posição do ranking nacional, bem abaixo da média brasileira, que alcançou 29,4% no mesmo período. O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas foi de 63 dias.
Outro dado positivo foi a redução do número de famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas contas. Em dezembro, esse grupo representava 2,4% dos lares paranaenses, frente a 3,6% no mesmo mês de 2024, o menor patamar da série histórica estadual.
A queda do endividamento foi mais expressiva entre as famílias com renda de até dez salários mínimos. Nesse grupo, o percentual de endividados recuou de 88,6% em janeiro para 85,3% em dezembro, uma redução de 3,3 pontos percentuais. Já entre as famílias com renda superior a esse patamar, a diminuição foi mais moderada, passando de 85,1% para 83,9%.
O cartão de crédito continuou sendo o principal tipo de dívida das famílias paranaenses, presente em 95% dos casos em 2025. Na sequência aparecem o financiamento de veículos (7,1%) e o financiamento imobiliário (6,1%). Os carnês de lojas voltaram a ganhar espaço ao longo do ano, passando de 2,2% para 4%.
O tempo médio de comprometimento com dívidas foi de 25 semanas, e a maioria dos consumidores (87,3%) declarou comprometer até metade da renda mensal com pagamentos, indicador que reforça a percepção de maior controle financeiro.