Empreender Comércio exterior
Acordo Mercosul–UE projeta o Paraná ao maior mercado consumidor do mundo
Tratado internacional amplia acesso a 450 milhões de consumidores europeus e fortalece indústria, energia renovável e exportações paranaenses
15/01/2026 07h57
Por: João Livi Fonte: AHK Paraná
Acordo entre Mercosul e União Europeia amplia acesso do Paraná a um mercado de 450 milhões de consumidores e fortalece exportações, indústria e energia sustentável. (Foto: Divulgação)

O Paraná passa a ocupar uma posição estratégica no cenário do comércio internacional com a consolidação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que cria a maior zona de livre-comércio do planeta. O tratado conecta diretamente o Estado a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores europeus e integra dois blocos que, juntos, representam aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global e uma população estimada em 700 milhões de pessoas.

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo foi aprovado pelo Conselho da União Europeia no último dia 9 e tem assinatura oficial prevista para 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. A medida inaugura uma nova etapa nas relações comerciais entre os blocos e amplia significativamente as oportunidades para estados com base industrial diversificada, como o Paraná.

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Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Paraná (AHK Paraná), o tratado posiciona o Estado como um polo industrial e energético relevante na integração entre a América Latina e a Europa, com impactos diretos sobre exportações, investimentos e cadeias produtivas.

Indústria paranaense ganha competitividade

Com forte presença nos setores automotivo, de autopeças, máquinas e equipamentos, indústria química, agroindústria transformadora e energias renováveis - incluindo biomassa e hidrogênio verde - o Paraná reúne empresas com perfil exportador consolidado. A redução progressiva de tarifas e barreiras comerciais prevista no acordo tende a tornar os produtos paranaenses mais competitivos no mercado europeu.

A expectativa é que bens industriais passem a acessar o bloco europeu com custos menores, ampliando a atratividade frente a concorrentes globais. Em segmentos como máquinas, químicos, aeronáutica e autopeças, a isenção tarifária deve ocorrer de forma mais ampla e rápida, estimulando ganhos de escala e expansão das exportações.

Investimentos e integração produtiva

O acordo também é visto como um catalisador de novos investimentos e reinvestimentos no Estado. A previsibilidade regulatória e a ampliação do mercado consumidor podem destravar projetos industriais, incentivar a modernização de plantas existentes e facilitar a circulação de executivos, técnicos e tecnologias entre os dois blocos econômicos.

Para empresas já instaladas no Paraná, especialmente aquelas com capital europeu, o novo cenário reduz incertezas e cria condições mais favoráveis para decisões estratégicas de longo prazo, fortalecendo a integração das cadeias produtivas e ampliando o intercâmbio tecnológico.

Adequação às normas será decisiva

Apesar das oportunidades, o acordo impõe desafios importantes. O acesso pleno ao mercado europeu exige o cumprimento rigoroso de padrões técnicos, sanitários, ambientais e de rastreabilidade. No caso de alimentos e produtos agroindustriais, a adaptação a essas exigências será determinante para a competitividade.

No setor agropecuário, a abertura ocorrerá de forma gradual, com a aplicação de quotas, salvaguardas e mecanismos de controle destinados a preservar o equilíbrio dos mercados europeus. Ainda assim, o tratado é visto como um estímulo à profissionalização, ao aumento do compliance e à busca por certificações internacionais.

Impactos de médio e longo prazo

A entrada em vigor do acordo depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos nacionais dos países do Mercosul. A expectativa é que os primeiros efeitos concretos sejam percebidos a partir de 2027, com crescimento gradual das exportações e maior atratividade ao capital estrangeiro. A eliminação total das tarifas poderá ocorrer ao longo de cinco a dez anos, conforme o setor.

Além dos ganhos econômicos, o tratado contribui para reposicionar o Brasil e o Paraná no cenário geopolítico internacional, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e ampliando parcerias com países europeus. No campo das energias renováveis, o Estado tende a fortalecer sua liderança, especialmente em projetos ligados ao hidrogênio verde e à economia de baixo carbono.