Mundo UE e Mercosul
União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul e avança para etapa de ratificação
Decisão do bloco europeu é considerada histórica e abre caminho para um dos maiores mercados de livre comércio do mundo
09/01/2026 15h39
Por: João Livi
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante coletiva em Bruxelas; União Europeia aprovou acordo comercial com o Mercosul. (Foto: Reuters/Arquivo)

A União Europeia aprovou, por ampla maioria de seus países-membros, a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por meio de suas redes sociais.

Segundo Ursula, o aval do Conselho da União Europeia representa um marco político e econômico para o continente. Em publicação, ela destacou que a decisão envia um sinal claro de compromisso com crescimento econômico, geração de empregos e fortalecimento das relações comerciais internacionais. “A Europa demonstra que segue um caminho próprio e se mantém como uma parceira confiável”, afirmou.

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Com a aprovação, a presidente da Comissão Europeia está autorizada a viajar ao Paraguai já na próxima semana para a assinatura formal do acordo com os países do Mercosul. O Paraguai ocupa, desde dezembro de 2025, a presidência rotativa do bloco sul-americano. Para que o tratado entre em vigor, ainda será necessária a ratificação pelo Parlamento Europeu.

Apoios, resistências e regras de aprovação

Apesar da maioria favorável, o acordo encontrou resistência em alguns países. Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra a proposta. Pelas regras da União Europeia, a aprovação exigia o apoio de ao menos 15 dos 27 Estados-membros, desde que representassem, juntos, pelo menos 65% da população total do bloco - critério que foi atingido.

Impactos econômicos e expectativas no Brasil

No Brasil, a decisão foi recebida com otimismo por representantes do setor produtivo e do governo. A ApexBrasil avalia que o acordo cria um mercado integrado de quase US$ 22 trilhões, com potencial de elevar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões.

De acordo com a agência, o tratado beneficia especialmente produtos da indústria de transformação, que já representam mais de um terço das exportações brasileiras para o bloco europeu. O acordo prevê redução imediata de tarifas para setores estratégicos, como máquinas, equipamentos de transporte, motores, autopeças e aeronaves.

Outros segmentos também devem ser favorecidos, como couro, pedras ornamentais, produtos químicos e itens metálicos. Para algumas commodities, a redução tarifária será gradual, com eliminação total dos impostos ao longo do tempo, respeitando cotas estabelecidas.

Com a aprovação europeia, o acordo UE–Mercosul entra em sua fase decisiva, consolidando-se como uma das maiores iniciativas de integração comercial em discussão no cenário global.