O Brasil deu um passo decisivo para a segurança sanitária da pecuária nacional com a criação do primeiro banco brasileiro de antígenos e vacinas contra a febre aftosa. O contrato foi assinado nesta quinta-feira (18) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), estabelecendo um repositório estratégico capaz de assegurar resposta imediata em caso de foco localizado da doença.
A iniciativa atende a uma das exigências da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para a manutenção do status de país livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecimento fundamental para a abertura e consolidação de mercados internacionais.
O acordo prevê a formação de um estoque inicial equivalente a 10 milhões de doses de antígenos, contemplando dois sorotipos do vírus que historicamente circularam no Brasil. Em situação de emergência, o contrato garante ainda o fornecimento imediato de até 10 milhões de doses de vacina ao Ministério da Agricultura. O prazo de vigência do contrato é de 10 anos.
Para viabilizar o projeto, o Tecpar firmou, em março de 2025, um acordo de cooperação tecnológica com a empresa Biogénesis Bagó, referência internacional na área. A companhia será responsável pela transferência de tecnologia, produção das vacinas, controle de qualidade e armazenamento dos antígenos, atuando como braço tecnológico do instituto paranaense.
Segundo o ministro Carlos Fávaro, o banco de antígenos representa um marco para o futuro da pecuária brasileira. “É um passo histórico no fortalecimento do nosso sistema sanitário. A sanidade é condição essencial para garantir alimentos seguros à população e ampliar o acesso do Brasil aos mercados internacionais. O status conquistado exige vigilância permanente, e esse banco é parte fundamental dessa estratégia”, destacou.
O Country Manager da Biogénesis Bagó, Marcelo Bulman, ressaltou que a medida traz tranquilidade ao setor em um momento de protagonismo global do Brasil na produção de carne bovina. “As principais potências produtoras do mundo mantêm bancos de antígenos como garantia sanitária. Para nós, é uma honra e uma grande responsabilidade contribuir para a segurança do rebanho brasileiro”, afirmou.
Já o gerente de Relações Governamentais da empresa no Brasil, Fabrício Bortolanza, destacou que o projeto reforça o compromisso com a proteção sanitária dos rebanhos nas Américas. “Investimos continuamente em pesquisa e desenvolvimento para responder de forma eficiente a diferentes cenários de emergência”, pontuou.
Com a criação do banco nacional de antígenos e vacinas, o Brasil fortalece sua capacidade de prevenção e resposta, assegurando competitividade, confiança internacional e sustentabilidade à cadeia pecuária.