Paraná Ótima notícia
Indústria paranaense lidera crescimento em 2024 e supera estados mais industrializados
Setor avança 4,2% no ano, impulsionado por máquinas elétricas, automotivo e móveis, mas enfrenta desafios com juros altos e câmbio desfavorável
11/02/2025 18h25
Por: João Livi Fonte: Fiep
Avanço da indústria paranaense foi impulsionado pelo desempenho positivo de 11 das 13 atividades analisadas pelo IBGE. Foto: Gelson Bampi

A indústria do Paraná encerrou 2024 com um crescimento de 4,2%, superando a média nacional de 3,1%, conforme dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho consolidou o estado como o mais dinâmico entre as unidades federativas mais industrializadas do Brasil, à frente de São Paulo (3,1%), Minas Gerais (2,5%), Rio Grande do Sul (0,6%) e Rio de Janeiro (0,1%).

O avanço foi impulsionado pelo crescimento em 11 das 13 atividades industriais analisadas. Os setores de maior destaque foram máquinas, aparelhos e materiais elétricos (36,4%), indústria automotiva (13,7%), móveis (12,7%), produtos de madeira (12,4%) e bebidas (9,9%). Por outro lado, os segmentos de petróleo e biocombustíveis (-1,5%) e máquinas e equipamentos (-0,7%) registraram retração.

Emprego e renda impulsionam produção

Outro fator determinante para o bom desempenho industrial foi o aumento da oferta de empregos formais no estado. Em 2024, o Paraná registrou um crescimento de 47% nas contratações com carteira assinada, o que ampliou a renda da população e fortaleceu o consumo, impactando diretamente a produção das fábricas. Esse cenário positivo beneficiou também os setores de comércio e serviços, reforçando a interconexão entre os segmentos da economia.

Para Edson Vasconcelos, presidente do Sistema Fiep, o crescimento expressivo demonstra a força do setor. "O fato de o Paraná superar a média nacional e os estados mais industrializados reforça o potencial da nossa indústria para continuar crescendo e gerando oportunidades".

Desafios econômicos e instabilidade cambial

Apesar dos resultados positivos, o setor industrial encara desafios para manter o ritmo de crescimento. O ambiente econômico de 2024 foi marcado por sucessivos aumentos na taxa básica de juros e forte volatilidade cambial. Esses fatores impactam diretamente os custos de produção, o acesso ao crédito e a capacidade de investimento das indústrias.

O comércio exterior também refletiu esse cenário. As importações paranaenses cresceram 7,7% ao longo do ano, com destaque para a aquisição de equipamentos, insumos e matérias-primas. No primeiro semestre, o câmbio favorável – com a cotação média do dólar a R$ 4,91 – possibilitou investimentos em tecnologia e modernização. No entanto, a valorização da moeda norte-americana, que fechou o ano a R$ 6,09 (alta de 24%), elevou os custos das importações no último trimestre, reduzindo a competitividade da indústria local.

A alta dos juros também preocupa o setor. Com o crédito mais caro, investimentos produtivos podem ser adiados, comprometendo a geração de empregos e a expansão das fábricas. Caso esse cenário persista, há risco de desaceleração econômica nos próximos meses, exigindo cautela por parte do empresariado.

Perspectivas para 2025

Para manter o crescimento, a indústria paranaense precisará enfrentar o impacto das oscilações econômicas e buscar estratégias para elevar sua competitividade. O fortalecimento da inovação, a modernização do parque industrial e a diversificação dos mercados podem ser caminhos para sustentar a expansão do setor.

Apesar dos desafios, os números de 2024 mostram que o Paraná se consolidou como um dos polos industriais mais fortes do país. A continuidade desse desempenho dependerá de políticas econômicas estáveis e de um ambiente favorável ao investimento produtivo.