Meio Ambiente Dourado em tanques
Itaipu avança com pesquisa inédita para produção sustentável de dourados
Reservatório transforma pesca em aquicultura de alta tecnologia para fortalecer a economia local.
15/01/2025 12h38
Por: João Livi
Fotos: Sara Cheida / Itaipu Binacional

A Itaipu Binacional está liderando uma iniciativa inovadora que promete transformar a produção de peixes no Paraná e oferecer novas oportunidades de renda para pescadores e piscicultores. Com o lançamento de uma pesquisa inédita para criar o dourado (Salminus brasiliensis) em tanques-rede, a primeira remessa de seis mil alevinos chegou à Unidade Demonstrativa e Experimental de Aquicultura em Sistema Bioflocos no dia 14.

O projeto é uma resposta direta à necessidade de equilibrar conservação ambiental com demandas de mercado, permitindo que o dourado, cuja pesca é proibida no estado, seja consumido sem pressionar os estoques naturais. "Queremos oferecer uma alternativa sustentável que atenda ao mercado e preserve o meio ambiente", explica André Watanabe, engenheiro agrônomo da Divisão de Reservatório da Itaipu.

Do transporte ao mercado: uma jornada controlada

Os alevinos viajaram 12 horas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, até o Paraná. Ao chegar, passaram por um rigoroso processo de aclimatação, ajustando a temperatura da água para minimizar o estresse. Nos próximos dois meses, eles serão monitorados para recuperação e ganho de peso antes de serem transferidos para os tanques-rede do reservatório. Com um peso inicial médio de 62 gramas, a expectativa é que alcancem mais de um quilo em um ano, atingindo um mercado que valoriza produtos de alta qualidade.

Para atender às demandas comportamentais do dourado, espécie carnívora e dominante, a Itaipu projeta tanques-rede maiores, de até 500 metros cúbicos. Segundo Watanabe, "o manejo dessa espécie exige cuidado extra, mas o retorno econômico é promissor, especialmente para nichos de mercado."

Bioflocos: tecnologia e sustentabilidade

O coração dessa inovação está no sistema de bioflocos, que utiliza um ambiente controlado e altamente eficiente no uso de recursos. Micro-organismos consomem a amônia gerada pelos peixes, transformando-a em nitrato, que posteriormente serve de nutriente para plantas aquáticas em tanques complementares.

Este modelo reduz drasticamente o consumo de água: são apenas 500 litros para cada quilo de peixe produzido, em contraste com os 18 a 30 mil litros dos sistemas convencionais. Além disso, elimina o risco de contaminação de rios e lagos.

"Estamos criando um modelo que combina produtividade com responsabilidade ambiental", destaca Celso Carlos Buglione, técnico em aquicultura e um dos responsáveis pelo projeto. A parceria com a Embrapa garante a validação científica dos protocolos de alimentação, controle da qualidade da água e análise de viabilidade econômica.

Impacto regional e futuro promissor

Com o Paraná liderando a produção de peixes no Brasil, gerando 200 mil toneladas anuais, o projeto de Itaipu reforça a relevância da bacia do reservatório para a economia local. Mais de 70% da produção estadual já provém dessa região.

As pesquisas em andamento abrem caminho para a diversificação de espécies cultivadas e consolidam o papel da aquicultura como motor de desenvolvimento sustentável. Enquanto isso, pescadores e piscicultores vislumbram novas oportunidades de renda, unindo tradição e inovação em benefício das comunidades e do meio ambiente.

A iniciativa da Itaipu Binacional vai além da criação de dourados em tanques-rede. Trata-se de um marco na busca por soluções sustentáveis que conciliem produção econômica e preservação ambiental. Com um mercado em expansão e tecnologias que promovem eficiência, o projeto não apenas responde às demandas atuais, mas também projeta um futuro mais equilibrado para a aquicultura brasileira.