A taxa de desocupação no Brasil chegou a 6,1% no trimestre encerrado em novembro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor índice registrado desde o início da série histórica, em 2012, consolidando um cenário de recuperação após os impactos severos da pandemia de covid-19.
A queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (6,6%) e de 1,4 p.p. em comparação ao mesmo período de 2023 (7,5%) reflete a entrada de 510 mil pessoas no mercado de trabalho nos últimos três meses. Desde 2023, aproximadamente 1,4 milhão de brasileiros deixaram a situação de desocupação, reduzindo o total de desempregados para 6,8 milhões de pessoas.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, "o ano de 2024 caminha para o registro de recordes na expansão do mercado de trabalho brasileiro, impulsionado pelo crescimento dos empregados formais e informais".
"A expansão da ocupação por meio de diversas atividades econômicas permite que trabalhadores de diferentes níveis de qualificação sejam absorvidos, promovendo ganhos significativos na economia nacional".
— Adriana Beringuy, IBGE
Crescimento da ocupação
O Brasil registrou 103,9 milhões de pessoas ocupadas no período, marcando um novo recorde. A empregabilidade formal atingiu patamares históricos, com 53,5 milhões de trabalhadores no setor privado, incluindo 39,1 milhões com carteira assinada. Já no setor público, o contingente chegou a 12,8 milhões.
Os setores que mais contribuíram para a alta na ocupação foram:
No acumulado anual, sete atividades econômicas, incluindo comércio e transporte, somaram um acréscimo de 3,5 milhões de trabalhadores.
Informalidade em leve declínio
A taxa de informalidade no Brasil caiu para 38,7%, representando 40,3 milhões de pessoas. Embora ainda elevada, a redução em comparação ao mesmo período do ano passado (39,2%) evidencia avanços no combate à precarização do trabalho.
Renda em crescimento
O rendimento real habitual médio dos brasileiros alcançou R$ 3.285, registrando estabilidade no trimestre e um aumento de 3,4% em relação a 2023. A massa de rendimento real atingiu R$ 332,7 bilhões, o maior valor já registrado. Setores como transporte e comércio puxaram as altas salariais.
Um retrato do mercado de trabalho
Os dados da PNAD Contínua, coletados em 3.500 municípios por 2 mil entrevistadores, consolidam-se como referência no monitoramento da força de trabalho brasileira. Após os desafios impostos pela pandemia, a retomada presencial das entrevistas trouxe ainda mais precisão às análises.