Inovação Patente química
Nova tecnologia promete transformar indústrias e reforçar a inovação científica no Brasil
Tecpar obtém patente revolucionária para processo químico
10/12/2024 14h19
Por: João Livi
CURITIBA, 04/12/2024; - Pesquisador Cesa Lenz do TECPAR. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) alcançou um marco significativo ao receber do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a concessão de uma patente de invenção para um inovador processo químico. Intitulado “Processo para síntese total da Ocratoxina Alfa enantiomericamente pura”, o projeto é fruto do trabalho de Cesar Antonio Lenz, doutor em Química e pesquisador do Tecpar, realizado sob orientação do professor Michael Rychlik, da Universidade Técnica de Munique (TUM).

Combate às contaminações alimentares

A pesquisa se concentrou no desenvolvimento de uma substância essencial para detectar contaminações por ocratoxinas, toxinas prejudiciais à saúde humana encontradas em alimentos e bebidas. Estas toxinas, produzidas por fungos, são conhecidas por causar danos renais e tumores no trato urinário.

Cesar Lenz destacou a relevância da invenção para a saúde pública. Ele explicou:

"Contaminações por Ocratoxinas são resultantes da atividade de fungos e são encontradas em vários tipos de alimentos e bebidas. É considerada tóxica aos rins e causadora de tumores de trato urinário".

A invenção patenteada inclui duas rotas sintéticas inéditas, resultando em rendimentos superiores aos registrados na literatura científica. Essa abordagem não apenas aprimora a produção da ocratoxina alfa como reduz os custos industriais, permitindo maior acessibilidade ao composto.

Impactos em múltiplas indústrias

O alcance da patente se estende por setores como:

Essas aplicações reforçam o papel do Tecpar como polo de inovação, alinhado ao compromisso de fomentar avanços tecnológicos com impacto direto na sociedade.

Inovação científica

Celso Kloss, diretor-presidente do Tecpar, destacou a importância da conquista:

"Como instituição pública de ciência e tecnologia, o Tecpar tem o compromisso de fomentar a inovação e o empreendedorismo tecnológico no Paraná e no Brasil".

A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da TUM, que disponibilizou infraestrutura tecnológica avançada para o projeto.

Caminho até a patente

O pedido da patente foi protocolado em 2011 e, após 13 anos de análises e verificações pelo INPI, a invenção foi reconhecida por sua originalidade, atividade inventiva e aplicabilidade industrial.

Lenz ressaltou do rigor do processo:

"Assim que o pedido foi aceito para análise e recebeu a data de prioridade, publicamos o artigo científico e aguardamos por 13 longos anos até recebermos a resposta".

Próximos passos

Com a patente em mãos, o Tecpar busca parcerias com indústrias interessadas em incorporar a tecnologia. O processo químico patenteado poderá ser licenciado para aplicação em sistemas produtivos, tornando-se um exemplo prático de como ciência e inovação convergem para soluções que beneficiam a sociedade.

Esta conquista reafirma a importância do investimento contínuo em pesquisa científica e tecnológica, posicionando o Brasil como um protagonista na geração de conhecimento de ponta e no fortalecimento da economia baseada na inovação.